Deck e Rodapés

Água e madeira

A durabilidade da madeira freqüentemente depende da água, o que não significa que a madeira não possa ser molhada nunca. Ao contrário, água e madeira convivem muito bem. A madeira é um material higroscópico, isto é, naturalmente absorve e expulsa água dependendo da umidade do ambiente em que ela está.

Sempre contendo água, a madeira constantemente troca vapor de água com o ar, absorvendo-o quando a umidade relativa do ar está alta, e perdendo-o quando a umidade do ar está baixa. Como a madeira incha quando absorve água, e encolhe quando a perde, tanto a sua umidade quanto as suas dimensões são controlados pela umidade relativa do ar ao seu redor.

Apesar da temperatura e da umidade relativa do ar variarem bruscamente em um curto período de tempo, o grau de umidade da madeira muda devagar. Mudanças no grau de umidade de madeiras com acabamento ocorrem ainda mais lentamente, porque o vapor d água precisa atravessar o acabamento. Por causa desta diferença de tempo entre as mudanças das condições do ambiente e a alteração na umidade da madeira, flutuações rápidas no ambiente, mesmo que bruscas, não têm grande efeito sobre a umidade da madeira. Mas com exposição prolongada – semanas a meses – a madeira acabará por entrar em equilíbrio que é regulado pela média de umidade relativa do ambiente.

Apesar de ter flutuações diárias grandes, a média de umidade relativa do ar varia pouco de ano para ano, ou de uma estação para outra. Como resultado dessa estabilidade, o grau de umidade da madeira utilizada ou estocada em ambiente externo, mas protegida do sol e da chuva, varia pouco também. É em ambientes fechados, onde o ar que entra tem sua temperatura alterada drasticamente, sem que haja correspondente umidificação ou desumidificação para manter a mesma umidade relativa de fora, que cria variações grandes na umidade do ambiente em que está a madeira e, assim, variações no seu grau de umidade e nas suas dimensões acontecem.

Se o teor de umidade da madeira for maior que o equilíbrio a uma dada umidade relativa, a madeira perderá umidade e encolherá em volume. Por outro lado, se a madeira estiver mais seca que o equilíbrio a uma dada umidade relativa, absorverá umidade e inchará. O movimento de encolhimento e inchaço da madeira varia de espécie para espécie e com a direção da grã da madeira. Isto ocorre, pois a estrutura da madeira é diferente para cada espécie. A quantidade de encolhimento ou inchaço é 2 vezes maior na superfície tangencial de uma tora de madeira do que na superfície longitudinal. Conseqüentemente, durante a secagem, uma peça úmida de madeira racha mais numa direção do que em outra e tende a entortar.

Efeitos no acabamento A variação no grau de umidade é reduzida consideravelmente com aplicação de demãos de tinta ou verniz. É comum observar que quando um acabamento numa peça racha, devido à alteração no teor de umidade, normalmente começa numa borda ou emenda sem pintura, e é mais severa próxima à emenda ou borda do que na região central.

Acabamentos econômicos podem ser aplicados no verso (costas) das peças de mobília, a fim de igualar a proteção à umidade com a superfície. Normalmente se aplica 1 ou 2 demãos, dependendo da resistência à umidade que se deseja.

Qualquer alteração no teor de umidade resultará em movimento da superfície da madeira sob o acabamento e se repetido freqüentemente, esse movimento de contração e expansão pode comprometer seriamente o acabamento.

Madeiras muito secas na etapa do acabamento são tão ruins quanto madeiras muito úmidas, pois em ambos os casos, qualquer alteração no teor de umidade causará movimentação da madeira.